1 de maio de 2016

PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI, DE JENNY HAN


Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.
Lara Jean é uma adolescente tímida, sem muitos amigos e muito ligada à família que vive com seu pai e suas duas irmãs. Sua mãe morreu quando era mais nova, portanto, a irmã mais velha – Margot – assumiu o papel de pessoa responsável junto com o pai. Lara Jean é a filha do meio da família Song, e logo depois vem Kitty, a caçula e a que menos tem lembranças da mãe. Margot irá para a universidade na Escócia em poucos dias e toda a responsabilidade de casa que ela carregava nas costas, consequentemente, será transferida para Lara Jean. A presença de Margot era essencial, todos criaram uma certa dependência na garota, entretanto, sem ela tudo sofrerá transformações, e é a protagonista que terá de cuidar de todas essas coisas sem sequer estar ao menos preparada para lidar com o que nunca a preocupou.


Quando o inesperado acontece, tudo, surpreendentemente, fica ainda mais complicado. Ela, que sempre escreveu cartas destinadas aos garotos que já amou, guardava todos os escritos em uma caixa especial, até que, um dia, todas desaparecem. E pior: vão parar nas mãos dos respectivos destinatários, o que causa uma confusão ainda maior, tanto pra Lara Jean, que precisará driblar tudo isso; quanto para os garotos, os quais, confusos e até raivosos, a procuram para compreender o que está acontecendo.


A escrita da autora é tão leve que parece uma conversa entre a protagonista e o leitor, tornando a leitura rápida e envolvente. A ordem dos acontecimentos também foi bem planejada, trazendo temas à tona com os quais podemos nos identificar a qualquer momento. Não se trata apenas de romance adolescente ou dos dramas amorosos vividos nesse período, mas ao mesmo tempo nos deparamos com assuntos como família, que também é um dos pontos principais do livro. O relacionamento familiar, as amizades e os amores fazem parte desse grande pacote, assim como os próprios medos e inseguranças de Lara Jean, tão comuns em todos que passam por essa fase ou até já saíram dela.
"Não quero mais ter medo. Quero ser corajosa. Quero... que a vida comece a acontecer."
Eu, particularmente, gosto muito de ver a evolução das personagens nos livros, e neste caso podemos acompanhar o modo como Lara Jean precisa se adaptar, amadurecer, lidar com tudo. Muitas coisas mudam e ela precisa acompanhar. No entanto, as mudanças também trazem acontecimentos bons e inesperados, surpresas com pessoas de quem ela jamais imaginaria. Para um dia leve e tranquilo — porque a vida precisa de dias assim — sugiro uma leitura relaxante e amável, e é isso que Jenny Han oferece em Para todos os garotos que já amei.

O próximo livro, P.S.: Ainda amo você, já foi lançado pela Editora Intrínseca:


Título: Para todos os garotos que já amei
Título original: To all the boys I've loved before
Autora: Jenny Han
Editora: Intrínseca (2015)
Páginas: 316

28 de março de 2016

INSIDE LOOK: O DIÁRIO DE ANNE FRANK


 Independentemente da edição, O Diário de Anne Frank é emocionante e um dos meus livros favoritos. A história dessa garota judia que vivenciou a Segunda Guerra Mundial já se encontra em diversas edições ao redor do mundo, e esta da Editora Record me deixou completamente apaixonada. Tudo nela é perfeito, desde a capa até todo o cuidado com a diagramação, fotos e até escritos originais do diário na letra de Anne. Vamos dar uma olhada por dentro deste belo livro? <3








Título: O Diário de Anne Frank
Título original: Her Achterhuis — Dagboekbrieven 
Autora: Anne Frank
Editora: Record
Páginas: 414  

16 de março de 2016

PETER PAN TEM QUE MORRER, DE JOHN VERDON



Desde quando vi o seu lançamento, pela Editora Arqueiro, fui fisgado por um título inteligente e intimidador que queria a morte de um dos marcos da minha infância. Logo, descobri que era um suspense de tirar o fôlego. Com uma expectativa mais alta que meu desejo pela leitura, fui fisgado por desvendar um crime incrível (e cheio de intrigas).

David Gurney, o detetive criado por Verdon para sua série de livros, tem mais um caso brutal a resolver: um assassinato que não aconteceu da forma que a polícia e os peritos relataram. Aposentado e longe das investigações, reluta muito em aceitar esse crime, mas quem não quer resolver um bom mistério?


Desmembrando as infinitas partes do caso, nosso protagonista se vê no maior dilema da sua vida: máfias, corruptos e o curioso assassino - que por sua altura e fisionomia, leva o nome de Peter Pan.

"Aqui vai: suponha que você tenha que escolher. Você preferiria ser um assassino... Ou a vítima?"
Desde o início, Verdon mostra talento em construir uma narrativa e conectar diversos eixos, como a vida pessoal e seu envolvimento nos casos. Os dilemas psicológicos/humanos como detetive acabam sendo expostos ao leitor, mostrando-nos a árdua tarefa de decifrar pistas e buscar a verdade. O caso, completamente inóspito, não faz sentido a primeiro ver. Aos poucos, os mistérios se revelam, mostrando uma arquitetação muito bem realizada.

É um daqueles desfechos que você não consegue advinhar. Brincando com o leitor a todo momento, o suspense é peça chave para uma narrativa oscilante: que, em determinados momentos, se arrasta. Em outros, é contagiante. Contudo, o desejo da verdade fala mais alto, e o leitor vai construindo a narrativa com o detetive Gurney.



O vilão, começando pelo nome, já demonstra ser um dos melhores personagens da trama. Sem muitas informações, Dave tenta identificar essa pessoa e seu peculiar jeito de matar. Porém, ele tem que ser rápido, ou seu passado pode ser remexido por uma mente psicopática que trará muitas reviravoltas para sua vida.

Peter Pan tem que morrer é um livro que reitera o talento de Verdon, sendo o quarto livro do autor pela editora. Instigante, inteligente e com uma boa dose de suspense, é uma obra obrigatória para os amantes da literatura policial.

Título: Peter Pan tem que Morrer.
Autor: John Verdon.
Editora: Arqueiro.
Páginas: 400.
Avaliação: 4/5.

 

7 de março de 2016

AGÊNCIA DE INVESTIGAÇÕES HOLÍSTICAS DE DIRK GENTLY, DE DOUGLAS ADAMS


Ler Douglas Adams era uma das coisas a se fazer em 2016. Autor da premiada série "O guia do Mochileiro das Galáxias", sua ironia, histórias inusitadas e o mundo nerd conquistaram uma legião de fãs no mundo inteiro e chegou a minha vez de agregar-me aos mochileiros.


Adams tem, sem dúvida alguma, uma forma inusitada de escrever. Guiar a história e o leitor em meio a uma trama engraçada, mítica, misteriosa e, ao mesmo tempo, inteligente é um trabalho e tanto. No novo livro do autor, lançado pela Editora Arqueiro, somos apresentados a Dirk Gently, um detetive arrogante e carismático.

Richard MacDuff é engenheiro de computação e tem uma vida tranquila, até certo dia. Depois de deixar uma mensagem no correio eletrônico do telefone da sua noiva e se arrepender, resolve invadir o apartamento da amada e excluir a mensagem do aparelho telefônico. Entretanto, não esperava encontrar seu antigo amigo, e nosso aclamado investigador, observando-o com seus binóculos do outro lado da rua. 

Depois de muitos acontecimentos bizarros e o assassinato do irmão de sua noiva, Susan, os dois se vêem num caso estranho, aonde a lógica não se faz presente. Mas que ao final de tudo, é mais uma obra digna de Adams.



A trama parece ser bem conflituosa, a primeiro ver, mas é contagiante. Descrita pelo autor como "Um colossal épico cômico musical romântico policial de horror sobre viagens no tempo, fantasmas e detetives”, o leitor é levado por uma aventura alucinante, de quebrar a cabeça mas que se mostra mais instigante a cada página.

Por tratar de diversos assuntos ao mesmo tempo (como pós vida, física e assassinatos), "Agência de Investigações Holísticas de Dirk Gently" é um livro que pode trazer confusão a mente do leitor. É um misto de diversos acontecimentos que resultam numa quebra lógica que vem começar a desvendar-se na primeira aparição do protagonista, na página 95. Por isso, pode demorar a conquistar os leitores de primeira mão no ritmo do autor e causar algumas desistências.


Em contrapartida, é um livro que coloca humor e sacarsmo em todos os momentos. Os personagens, bizarros em sua totalidade, tornam a história cômica. Os capítulos curtos e uma escrita inteligente tornam o autor um sucesso para o mundo nerd. Em suma, é um livro peculiar e bem diferente do que encontramos no mercado editorial, que merece ser apreciado e causará ótimas risadas.


Título: Agência de Investigações Holísticas de Dirk Gently.
Título Original: Dirk Gently Holistic Agency.
Autor: Douglas Adams.
Editora: Arqueiro.
Páginas: 240.
Classificação: 4/5.


17 de fevereiro de 2016

AUGGIE & EU, DE R.J. PALACIO

"No fim, os leitores sabem que Extraordinário nunca foi de fato sobre o que acontece com Auggie Pullman. É sobre como Auggie acontece para o mundo".
Talvez essa seja, entre as múltiplas mensagens, a mais bonita lição de Extraordinário. No prefácio da autora, conhecemos um pouco mais da repercussão do livro, e de Auggie, no mundo. O modo como os leitores acolheram essa história encantadora e trouxeram, para si, os valores transcritos por Palacio torna, a cada dia, um aprendizado.


Plutão, Shingaling e O capítulo de Julian formam uma tríade de contos derivados de Extraordinário. Com a visão do melhor amigo de Auggie, do seu maior "inimigo" e de uma garota que o recebe nas boas vindas da escola, somos levados a conhecer três visões diferentes da vivência do nosso protagonista na Beecher Prep.

"Eu acredito que um sonho é como um desenho em sua mente que vai ganhando vida. Você tem que imaginá-lo primeiro. Depois tem que trablhar mundo, muito pesado para torná-lo realidade".

Incorporar a voz de uma criança na narrativa seria, certamente, um dos talentos que eu gostaria de ter. E Palacio afirma, notavelmente, mais uma vez em Auggie & Eu. O modo fluído da sua narrativa, aliado com personagens encantadores, o tornam um livro impossível de largar. Outro fator interessante foi a linearidade dos contos: em todos três há algo que interliguem e mostrem diferentes visões sobre nosso protagonista em seu mais novo desafio, a vida escolar.

Julian, o menino que atormentava Auggie em Extraordinário, é responsável pelo primeiro conto. Nele, resolve explicar todos os seus atos, mostrando o "porquê" da implicância com nosso protagonista. Muito bem pensado, o conto conseguiu explorar a vida de Julian e explicar muito sobre teu temperamento e como a família recebe seus atos. É interessante ver como seus pais são com a situação e como ele consegue, lá no fim, mostrar que tem um coração grande. O modo como ele se redimiu e viu a situação que ele pregava foi encantador. Segundas chances sempre foram necessárias e em Extraordinário não foi diferente.


Plutão é um nome extraordinário para mais uma história no universo de Extraordinário. Quase uma retrospectiva, o conto mostra a vida dos melhores amigos, desde quando estavam na barriga das mães, que eram amigas. Emocionado, o leitor vê todas as dificuldades da família de Auggie com a reação das pessoas, a reclusão nos parquinhos e como é difícil lidar com a situação. Christopher relata a tarefa de ser um amigo fiel, apesar do preconceito. É bonito ver um coração tão grande nas crianças, que ultrapassa todas as barreiras da sociedade, e saber que, quando precisarem um do outro, eles estarão lá.

Shingaling é a terceira e última parte do livro que conta a Beecher Prep na visão de Charlotte, a garota que foi do comitê de boas vindas para Auggie. Sempre foi uma garota gentil e educada com ele, mas nunca tentou ser mais próxima, amiga. Diferentemente dos outros contos, somos levados a conhecer a escola no âmbito geral, com as panelinhas, brigas e encrencas. Tentando ser uma garota que agrada a todos, ela não sabe em que grupo ficar, em qual mesa sentar na hora do almoço ou até mesmo se quer ser amiga ou popular. É o típico problema de adolescente: quem eu sou?

A autora conseguiu trabalhar a situação de uma forma mágica: trazendo valores ao seus leitores  e mostrando que nem sempre somos o que aparentamos. Podemos sempre ir além. Ela passa por diversas situações e aprende que ser ela mesma, com seus jeitos e manias, é a melhor forma de viver. Conhecer melhor a escola também foi um fator interessante, apreciamos o impacto da situação entre Julian e Auggie na escola, nas amizades e no ambiente escolar.


Auggie & Eu é sobre ir, sempre, em frente. Sobre ser bem mais do que se imagina e, acima de tudo, ser você. A história desse garotinho eternizará gerações e saber que, independente de quantas vezes leiamos, sempre aprenderemos algo novo, é um sentimento realizador. Extraordinário é um adjetivo de pouca intensidade para o mundo de Auggie, Palacio não só escreve, mas ensina e mostra os melhores valores para uma criança.

Título: Auggie & eu.
Autora: R. J. Palacio.
Editora: Intrínseca (2016).
Páginas: 326.










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